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Tristão e Isolda

A ópera Tristão e Isolda conta a história de uma dramática saga de amor de forma complexa e inovadora. Trata-se de uma obra desprovida de conotação política e ideológica. É uma ópera muito humana por abordar relações pessoais e sentimentos importantes, como amor, dor da separação, lealdade, solidariedade, fidelidade, amizade, gratidão, compaixão, honra, desejo de morte, culpa, ódio, inveja e adultério. Apresenta atos de traição e de redenção. Também é uma ópera sem muita ação externa, na qual podemos ver o confronto dos sentimentos e o conflito íntimo dos personagens num longo debate emocional. O drama dos personagens é mais interno do que externo e podemos perceber a importância e supremacia da música em relação ao texto. É uma obra na qual o desejo de amor – que deveria ser uma importante razão para viver – e a pulsão de morte coabitam, porque o desejo de amor de Tristão e Isolda tem a necessidade de transcender, de abolir o tempo e o espaço.

A ópera Tristão e Isolda não é somente uma história tradicional e banal de adultério. Ela apresenta o sacrilégio cometido por infidelidade. A sublimação desse amor passa por um processo de redenção, sacrifício, purificação e morte.

O romance de amor que fascinou o Ocidente durante a Idade Média chegou aos dias de hoje com uma dimensão suplementar jamais esperada na obra de Wagner que transmite uma melancolia ardente e um desespero que nos tocam de maneira dolorosa, com muita intensidade.